Glória às lutas inglórias
Glory to all inglorious fights

Obelisco Gloria Eterna aos fundadores de São Paulo photo Néle Azevedo402 Glória às lutas inglórias photo Marcos Gorgatti048 Glória às lutas inglórias photo Marcos Gorgatti 04

vista geral antimonumento construido photo Marcos Gorgatti 069

glória às lutas inglórias photo Marcos Gorgatti May 2007 020 Construção antimonumento Glória às lutas inglórias - 05/2007 photo Marcos Gorgatti grafismo Guarani usado no desenho  photo Néle Azevedo 05052007

Glória às lutas inglórias photo Marcos Gorgatti 079 devorando o antimonumento photo Marcos Gorgatti 124 Glória às lutas inglórias 05/2007 - photo Marcos Gorgatti

Glória às lutas inglórias  05/2007 photo Marcos Gorgatti Glória às lutas inglórias, Pateo do Collegio 05/2007 phto Marcos Gorgatti

devoração do antimonumento photo Marcos Gorgatti 101 devorando o antimonumento photo Marcos Gorgatti 116 devorando o antimonumento photo Marcos Gorgatti 149

Glória às lutas inglórias é um antimonumento realizado em São Paulo, no Páteo do Collegio, por ocasião da Virada Cultural/2007 para se contrapor ao obelisco ali existente denominado Glória Eterna aos fundadores de São Paulo. É um trabalho específico para um lugar específico.
Foi construído com mais de duzentos caixotes cheios de frutas. Um grande desenho horizontal e aberto formava um grafismo dos povos Guaranis no mesmo tamanho do obelisco ao lado. Em meio ao desenho, muitas esteiras de palha no chão criavam espaços de convivência.  Ao final da construção, o público foi convidado a celebrar através do sabor das frutas, da interação dos sentidos – a memória da vida aqui e agora; uma espécie de celebração do corpo presente na história.
Vale lembrar que foi no “Pateo” que a cidade de São Paulo começou. Ali os jesuítas da Companhia de Jesus fundaram o colégio onde os princípios do cristianismo foram levados aos povos indígenas. Hoje é uma praça rodeada por uma arquitetura neoclássica imponente, com prédios que sediam o Tribunal e a Secretaria de Justiça. No centro, o obelisco de autoria do escultor Amadeu Zani, Glória imortal aos fundadores de São Paulo.

O título Gloria às lutas inglórias  é uma alusão à canção de Aldir Blanc e João Bosco e pretende celebrar o que não é comemorado oficialmente. Portanto, celebra perdas e perdidos no processo de colonização e da  construção da cidade.

A ambigüidade do monumento – o que ele revela e o que ele esconde – fica clara ao olhar o conjunto arquitetônico da praça. Carrega o eco de nossos mortos, de uma outra possibilidade de organização de espaço, de visão de mundo, enfim, de uma outra cultura.
Procurei trazer à luz essa ambigüidade do monumento e resignificar a memória pública. Incluir o que se oculta na celebração oficial da história.



Glory to all inglorious fights

The proposition of the antimonument emerged from the historical meaning of the “Pateo do Collegio”, downtown São Paulo. In this place, the Jesuits founded the school where the Christianity was taught to the indigenous people. Today, it is a square surrounded by an imponent neoclassical architecture from the Secretary of Justice and the Supreme Court buildings. In the middle of the square, there is the obelisk “Imortal Glory to the founders of São Paulo”, made by Amadeo Zani.
The ambiguity of the monument – what it reveals and what it conceals – is clear when you analyze the square’s surrounding buildings. It carries the echoes of our deads, of another possibility of spatial organization, another world vision, another culture.
It was thinking at the insufficiency of the shape to discuss the barbaric that I thought about bringing “raw state” boxes full of fruits and horizontally draw – the verticality of the monument by Zanny is there as the winner’s logic – the antimonument: “Glory to the inglorious fights”. The name is an allusion to an Aldir Blanc and João Bosco’s song and intends to celebrate what is and what is not officially celebrated. Therefore, the ones that lost in the colonization and the city’s creation.
The horizontal antimonument, built by more than 200 boxes of fruits and straw mats, formed an indigenous Guarani graphism. At the end, the fruits were offered to the people and they celebrated both taste and knowledge, the interaction of senses – the memory  of the “here and now” life.
I intended to bring to light the ambiguity of the monument and give a new meaning the public memory. To include what is concealed in the official celebration of history.
For a moment there was a suspension in the everyday life and together, the homeless, the artists, the young, the old and the children celebrated together all the losses.